sábado, 29 de janeiro de 2011

Endocanabinoides

Olá pessoal! Quem escreve é o Bruno e esse é o meu último post para o blog. Hoje decidi falar sobre os endocanabinoides para complementar as informações transmitidas no post sobre maconha escrito anteriormente por mim. Espero que gostem!

A descoberta de receptores de THC no organismo humano fez com que os cientistas desconfiassem da existência de substâncias similares ao THC que fossem produzidas pelo próprio corpo. Tal hipótese foi confirmada com a descoberta dos endocanabinóides. Dentre eles os mais estudados atualmente são a anandamida e o 2-araquidonilglicerol (2-AG).
Os endocanabinóides são produzidos sob demanda, ou seja, somente os neurônios pós-sinápticos estimulados são capazes de sintetizá-los. Uma vez produzidos, eles saem do neurônio e ligam-se aos receptores CB1 localizados no terminal pré-sináptico.
A maior parte dos neurotransmissores são solúveis em água e armazenados em vesículas que se fundem a membrana celular liberando-os na fenda sináptica, onde se ligarão aos receptores do neurônio pós-sináptico. Diferentemente, os endocanabinóides não são armazenados em vesículas. Esses compostos são lipídios rapidamente sintetizados a partir de componentes da membrana celular e sua liberação na fenda sináptica é regulada por meio do influxo de íons cálcio na célula ou da ativação de receptores acoplados à proteína G. Os endocanabinóides que não se ligaram a nenhum receptor são recaptados para o neurônio pós-sináptico por uma proteína transportadora e degradados por enzimas específicas.
Os endocanabinóides, ao contrário do THC, conseguem interagir com outro tipo de receptor: os receptores vaniloides. Esse receptor também tem grande distribuição no Sistema Nervoso Central, mas seu modo de ação é distinto dos CB1. O receptor vaniloide tem localização pós-sináptica e quando acionado promove a entrada de íons sódio no neurônio, ativando-o. Outra peculiaridade é que a interação entre o receptor e o endocanabinóides se dá no interior do neurônio. Isso significa que para ativar o receptor vaniloide, o endocanabinóides deve ser interiorizado pelo neurônio.
Um aspecto interessante do modo de ação dos endocanabinóides é que eles atuam de forma retrógrada, ou seja, do neurônio pós-sináptico para o pré-sináptico.
Em uma sinapse típica, o neurônio pré-sináptico secreta neurotransmissores na fenda sináptica, onde encontrarão seu receptores no neurônio pós-sináptico. Com os endocanabinóides se dá o contrario. Os neurotransmissores são produzidos na membrana das células pós-sinápticas e dali atravessam a fenda sináptica para encontrar os receptores CB1 no neurônio pré-sináptico. A mensagem transmitida é inibitória, sinalizando para o neurônio pré-sináptico que a liberação de neurotransmissores deve ser cessada, protegendo os neurônios da superexcitação. Esse fenômeno foi chamado de inibição da supressão induzida por despolarização (DSI).

                  
Pesquisas recentes visando relacionar a ação dos endocanabinóides com alterações comportamentais foram feitas em diversos centros de estudo. Para tal, os cientistas através de reforço negativo treinaram ratos para que quando escutassem determinado sinal sonoro sentissem medo. Isso é feito aplicando-se choques elétricos de baixa intensidade aos animais ao mesmo tempo em que o som é gerado.
O experimento mostrou que ao escutar o som, mesmo na ausência de choques elétricos, os ratos demonstravam sinais de medo. Mas quando o som era repetido várias vezes, na ausência de choques, os animais deixavam de temê-lo, ou seja, o condicionamento desaparecia, processo denominado extinção. Os pesquisadores realizaram os mesmos testes com roedores desprovidos de receptores CB1. Eles constataram que esses animais aprendiam mais rapidamente a temer o sinal sonoro e não perdiam o medo do estímulo mesmo quando este não estava mais associado às descargas elétricas. Esse experimento indica que os endocanabinóides possuem importância na extinção de memórias aversivas e inibição da reconsolidarão destas.
Portanto, a ativação de receptores CB1 poderia ser um importante alvo de estudo para o desenvolvimento de nossas estratégias terapêuticas para o tratamento do transtorno pós-traumático.



Bruno Sakamoto - MED 92


Referências Bibliográficas
Revista Scientific American Brasil. edição especial nº 38: Consciência Alterada, O Universo paralelo das drogas.
http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/barato_natural.htm
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462010000500004

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