sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sabia que os neurotransmissores estão relacionados com a enxaqueca e com o ciclo menstrual?!


Olá, pessoal! Tudo tranquilo com vocês?

Há pouco, quando estudava sobre a relação entre enxaqueca e ciclo menstrual, descobri que os neurotransmissores formam uma ponte muito interessante entre esses dois fatores. Portanto, nesse post, falarei sobre um tema que está relacionado com neurotransmissores, hormônios e, sobretudo, com a saúde da mulher. Vamos lá!



           Bom... No período menstrual, o estrógeno encontra-se em quantidade reduzida na corrente sanguínea. E esse hormônio possui diversas ações importantes no sistema nervoso central, como a capacidade de facilitar a ação de neurônios que liberam serotonina, por exemplo.

Fórmula estrutural da serotonina, neurotransmissor relacionado com a enxaqueca.

Estrógeno, um dos principais hormônios sexuais femininos.

Nas mulheres, a relação entre estrógeno e serotonina é bem marcante. Quando as concentrações de estrógeno caem, as concentrações de serotonina também diminuem: há queda na produção e aumento na degradação desse neurotransmissor.

Como resultado, substâncias (como o peptídeo relacionado à calcitonina e a substância P) são liberadas pelo nervo trigêmeo, causando a dilatação de vasos cerebrais e sensibilização de fibras nervosas relacionadas com a dor. Portanto, a diminuição da concentração de estrógeno na mulher é um importante fator que pode desencadear a enxaqueca. 

Os níveis de estrógeno circulante podem diminuir por diversos motivos: flutuações fisiológicas normais, interrupção no uso de anticoncepcionais, mau uso de contraceptivos e por interações medicamentosas que diminuem as concentrações circulantes de estrógeno.

O UpToDate recomenda que a mulher crie uma espécie de diário para um melhor controle sobre os fatores que disparam a crise de enxaqueca. A partir dele, a fica mais fácil identificar os fatores que contribuem para o surgimento da enxaqueca e verificar se as crises realmente estão relacionadas ao ciclo menstrual.Além disso, recomenda-se a prática regular de exercícios físicos e a manutenção do sono


Na maioria dos casos, no entanto, é necessário o uso de medicamentos no tratamento da enxaqueca. Esses vão desde anti-inflamatórios até analgésicos e triptanos.

Mas o que são os triptanos? Eles formam um grupo de fármacos que agem mimetizando a ação da serotonina no sistema nervoso central. Segundo o UpToDate, eles têm eficácia comprovada no tratamento da dor de cabeça aguda e também ajudam a combater a náusea e a fotofobia. São seguros e efetivos na maioria dos casos.

Com relação à prevenção contra as crises, há algumas alternativas viáveis que devem ser seguidas sob orientação médica. Entre elas, está o uso regular de anticoncepcionais que contêm estrógeno. Eles auxiliam na prevenção porque não permitem quedas acentuadas nos níveis desse hormônio durante o ciclo e, assim, mantém concentrações normais de serotonina no sistema nervoso, diminuindo a incidência de crises de enxaqueca.



O uso de anticoncepcionais pode auxiliar na prevenção das crises de enxaqueca relacionadas com o ciclo menstrual.


Legal demais saber que os neurotransmissores estão envolvidos em assuntos tão presentes no dia-a-dia, não é?

É isso aí!
Um abração, pessoal. Até mais.

Diogo MED92

Referências bibliográficas:
- UPTODATE. Estrogen-associated migraine. Disponível em: www.uptodate.com; Acesso em 20 jan 2011.
- RANG & DALE;  Farmacologia. 6ª Ed. Rio de Janeiro: editora Elsevier, 2007.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SOS HUB!


Alô vocês amantes de Neurotransmissores, Doenças Mentais e Drogas,

Hoje a postagem não será sobre o assunto do nosso blog, mas valerá muito a pena lê-la. =)
Sei que ficou grande, mas faça um esforço, 5 minutos a mais aqui não vão te fazer falta, mas nesses 5 minutos você pode ler o que tem indignado não só ao SOS HUB, como muitos que ainda querem lutar pelo que acham errado.

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) está passando por uma situação muito difícil atualmente, são vários os problemas que o tornam longe de ser um bom hospital. Para isso, estudantes da UnB criaram o movimento SOS HUB, para exigirmos o fim do descaso com o nosso hospital  universitário. Estamos na semana do SOS HUB na UnB, estamos tentando divulgar o movimento o máximo possível, convocar a mídia, informar as pessoas sobre os problemas que o HUB enfrenta, por isso decidi fazer essa postagem hoje.
É muito injusto com todos nós, que pagamos impostos e mais impostos pra faltar tanta coisa no nosso dia-a-dia, vale a pena lutar pelo que você deveria ter, e eu decidir abraçar a causa do HUB com todas as forças. Nunca fui muito revolucionário, mas é de indignar todos esses problemas, são tantos, e não duvido nada que eu não sei de muitos, mas vou descrever aqui aqueles que mais me chamam a atenção:

- O Pronto-Socorro do SOS HUB está fechado há quase 3 anos. Foi fechado para reformas e até hoje (quase) nada foi feito, sempre prometem um prazo para as obras, e sempre adiam no final. O último prazo que deram foi de ficar pronto no 1º semestre de 2011, mas não adianta ficar parado e esperar que tudo se resolva por conta própria (o que não tem apresentado a mínima eficácia). Todos perdem bastante com essa situação. O HUB atendia a mais de 100 pessoas diariamente apenas no Pronto-Socorro, e, ao fechá-lo, sobrecarrega ainda mais o sistema público de saúde do Distrito Federal. A localização do HUB é muito acessível, fica bem próximo ao centro e há vários ônibus que passam em frente ao portão do HUB. Os estudantes, funcionários e professores da UnB poderiam ir a um Pronto-Socorro que fica a 1,5km da UnB quando precisassem, e agora se qualquer um passar mal na UnB não poderá ser atendido no HUB, justamente porque estamos sem Pronto-Socorro desde o começo de 2008. Além disso, o Pronto-Socorro é muito importante para as experiências que estudantes dos cursos de Saúde precisam ter para uma boa formação, afinal serão esses os estudantes que estarão trabalhando por aí em clínicas, hospitais e postos de saúde.

- A estrutura inadequada do HUB também é um dos problemas pelos quais temos lutado bastante, Hospital não deve ser um lugar com tudo caindo aos pedaços (literalmente, no ano passado parte de um teto caiu em uma das salas do HUB) ou com vários setores desativados (UTI da neonatologia,corredor da Ginecologia e Obstetrícia,etc)

- O HUB sofre bastante com a falta de profissionais (médicos, enfermeiros, professores, funcionários em geral), que é conseqüência do baixíssimo salário oferecido e da exclusividade exigida (quem é que vai querer trabalhar 40 horas em um lugar onde se ganha muito pouco e que é instável com tantos problemas estruturais?) Essa falta de profissionais provoca o fechamento de setores inteiros do HUB (a maternidade está quase fechando!).

- Vários obras estão paradas além do Pronto-Socorro. O Instituto da Criança e do Adolescente e a Lavanderia (os materiais precisam ser esterilizados em Anápolis antes de chegar ao HUB) estão com suas obras PARADAS.

Bom, fica aí a minha indignação. Agradeço por terem lido e queria pedir pra vocês comentarem em casa, com os amigos, familiares. Venham nos ajudar nessa luta! =)
Haverá uma Manifestação em frente à Faculdade de Ciências da Saúde (FS) da UnB (Universidade de Brasília) às 11h do dia 19 de janeiro de 2011 (quarta-feira) e gostaria de convidá-los a participarem, todos serão bem-vindos e ficaremos muito felizes se aparecerem!

Escrito por Lucas Bezerra, estudante do 1º ano do curso de Medicina da UnB.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Inibidores das Enzimas MAO

Alô vocês! Quem está digitando hoje é o Caio Rocha Bieber :), como temos explicado bastante da correlação entre os inibidores da enzima MAO (monoamina oxidase) e o tratamento de certas doenças mentais, achamos que seria importante dedicar uma postagem exclusiva a essas drogas.

Histórico
No começo da década de 1950, duas drogas foram lançadas para o tratamento de pacientes com tuberculose. Após um certo tempo, descobriram que uma das drogas melhorava o humor dos tuberculosos, e a outra não. Vários estudos foram feitos e descobriram a diferença entre as drogas: uma possui inibidores da enzima MAO e a outra não, estas drogas são: iproniazida e isoniazida, respectivamente. Outros inibidores foram sintetizados e utilizados extensivamente com o intuito de tratar a depressão até a década de 1950, quando uma outra de classe de antidepressivos (os tricíciclos) se tornaram disponíveis. A substituição deve-se principalmente aos vários efeitos colaterais indesejáveis provocados pela inibição da MAO, dentre os quais podemos citar:
- Tremores
- Visão distorcida
- Hipotensão (pressão baixa)
- Crise hipertensiva que pode levar à morte (no caso de pacientes que ingerem alimentos que contêm tiramina)
- Convulsões (quando ocorre uma alta dosagem do inibidor)
- Retenção urinária
- Ressecamento generalizado das mucosas do trato respiratório alto (garganta,nariz,boca)
- Lesão hepática


Enzima MAO e Ação de Seus Inibidores
Como temos explicado em nossas postagens, uma regulação anormal da quantidade de neurotransmissores pode provocar todo o quadro característico de uma doença mental, para se determinar qual a doença mental que será induzida, depende principalmente de quais neurotransmissores estão em excesso ou em falta e onde está esse defeito. Nós possuimos e sintetizamos as enzimas MAO (monoamina oxidase) em quase todos os tecidos e há duas formas moleculares: a MAO-A e a MAO-B. Como o próprio nome diz, essa enzima oxida monoaminas, inativando-as. Essas monoaminas são neurotransmissores excitatórios: dopamina, noradrenalina e serotonina. Na fenda sináptica, esses neurotransmissores podem ser degradados pela ação das enzimas MAO, portanto inibidores dessa enzima podem provocar um aumento na concentração dessas monoaminas na fenda sináptica, podendo ser utilizados para a correção de seu déficit em um transtorno mental. Inibidores da MAO-A agem na melhora dos sintomas da depressão e inibidores da MAO-B eram utilizados no tratamento do parkinsonismo. Um aumento da disponibilidade de noradrenalina, dopamina e serotonina no sistema nervoso central provoca melhoria do humor, que é geralmente percebida após 2 semanas de tratamento em 60% dos pacientes. Atualmente os principais inibidores utilizados são: fenelzina, tranilcipromina e isocarboxazida. Os 3 possuem praticamente a mesma eficácia e efeitos colaterais semelhantes, sendo utilizados no tratamento de:  transtorno do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão atípica e alguns tipos de fobias. Além disso, costumam ser usados quando a terapia com tricíclicos não apresenta bons resultados.  

Estrutura da Fenelzina




Estrutura da Isocarboxazida


Qualquer pergunta, já sabem: podem contar conosco! Estamos super-felizes em ver a quantidade de acesso que temos recebido diariamente, e esperamos que continue assim ou que melhore ainda mais! Acompanhem e fiquem interados nesse universo de conhecimento incrível que é o dos Neurotransmissores.
Abraços e vejo vocês na próxima!
Caio Rocha Med92

Bibliografia utilizada:
- Pharmacology by H.P. Range, M. M. Dale and J. M. Ritter, Third Edition.
- Basic Farmacology for Nurses, 13rd Edition. CLAYTON and STOCK.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Transtorno de Ansiedade Generalizada

EXTRA-EXTRA! EDIÇÃO ESPECIAL!

Meus queridos! Hoje é a postagem de edição especial de Neurotransmissores, Doenças Mentais e Drogas, para comemorar o 70º dia de nossa existência =) Em homenagem ao nosso veterano Caio, a postagem será temática, no estilo de uma entrevista jornalística! O assunto da postagem de hoje será: Transtorno de Ansiedade Generalizada, espero que gostem!

Repórter: “Hoje você disse que vai falar sobre o funcionamento do transtorno de ansiedade generalizada, mas antes disso, seria bom você nos dar uma melhor noção desse transtorno, principalmente porque muitas pessoas inclusive nunca ouviram falar desse transtorno! No que ele consiste?

Giratório: “O DSM-IV o conceitua como: “a predominância de um excesso de ansiedade e preocupação sobre vários acontecimento ou atividades na maior parte dos dias durante um período de, no mínimo, 6 meses”. Ou seja, se você passar um semestre cheio de preocupações, não consegue parar de pensar no que você precisa fazer, temos 2 hipóteses: ou você possui um Transtorno de Ansiedade Generalizada ou você é um estudante de medicina. Hehe, brincadeira! Um portador desse transtorno vive ansioso e angustiado a cerca de quase tudo o que faz em seu dia-a-dia, até mesmo o que ele vai comer no café da manhã pode ser motivo de muita preocupação. Frequentemente, essa preocupação e ansiedade excessivas se associam a sintomas somáticos, tais como irritabilidade, inquietação, tensão muscular e insônia. É uma sensação muito difícil de se ter controle, é perturbadora e compromete importantes áreas da vida.”


Repórter: “Além de perceber que o paciente está se preocupando excessivamente e tem estado muito ansioso, há outros meios que ajudam a confirmar o diagnóstico desse transtorno?”

Giratório: “Bom...Há um meio de diagnóstico que pode mostrar um indicativo, é a PET (emissão tomográfica de pósitrons), que consiste em um meio de diagnóstico por imagem capaz de mostrar regiões do corpo que estão com um maior metabolismo, caso estejam interessados para saber como esse aparelho funciona, explicamos isso no nosso blog! Basta acessar nas postagens do dia14/12/2010, está com o título Perguntas do Blog =) Voltando ao assunto, costuma-se mostrar uma baixa taxa metabólica nos gânglios de base (também falamos sobre eles em nosso blog! Basta olhar na outra postagem sobre o mesmo dia) e na substância branca. Analisando-se as imagens obtidas do paciente, podemos acrescentar ou retirar da lista de evidências para descobrir se ele tem ou não o transtorno.”

Repórter: “ O uso de drogas pode causar o transtorno de ansiedade generalizada?”

Giratório: “ Não, não há relação entre o uso de drogas e a ansiedade, assim como não há com uma condição médica geral.”

Repórter: “E esse transtorno é hereditário?”

Giratório: A ciência não se aprofundou muito nisso, mas há estudos genéticos que tem avançado nessa área: estudos de gêmeos relatam que se uma pessoa possui esse transtorno, seu irmão gêmeo possui chance de 50% (caso seja monozigótico) ou de 15% (caso seja dizigótico). Além disso, verifica-se que há relação genética entre o transtorno de ansiedade generalizada e a depressão em mulheres.


Repórter: “E como funciona? Há bases bioquímicas e/ou fisiológicas que tentam explicar a diferença do organismo de um portador para um não-portador desse transtorno?”

Giratório: “A Medicina, assim como muitas outras, é uma ciência que tem uma profunda base experimental. A eficiência terapêutica de certos fármacos pode contribuir para se determinar a fisiopatologia de uma doença, é como se a solução fosse responsável por descobrir a causa do problema. Para o Transtorno de Ansiedade Generalizada, tais fármacos são os benzodiazepínicos e as azapironas. Benzodiazepínicos são ansiolíticos (redutores de ansiedade), seu principal efeito é a potencialização de GABA (ácido gama-aminobutírico), o neurotransmissor inibitório primário do sistema nervoso central, está bem explicado no nosso blog como funcionam os neurotransmissores inibitórios \o. A buspirona [BuSpar] é uma azapirona, e é sabido que ela atua como agonista de um receptor de serotonina, têm-se, portanto, evidências de que o sistema serotoninérgico no portador esteja regulado anormalmente, uma forma de se regular tal sistema pode ser utilizando ISRSs (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina), que tem apresentado melhora no quadro de alguns pacientes com o transtorno,  explicado com base no fato de que esses fármacos são capazes de aumentar as concentrações do neurotransmissor serotonina nas fendas sinápticas, uma vez que inibem sua recaptação. As principais áreas que apresentam evidências de envolvimento com o Transtorno de Ansiedade Generalizada são os gânglios de base, o sistema límbico e o córtex frontal. Há evidências também de que tais portadores podem ter sensibilidade reduzida de seus receptores de adrenalina e de noradrenalina.”

Exemplo de benzodiazepínico,utilizado no tratamento de ansiedade e estresse.


Repórter: “E além dos benzodiazepínicos, azapironas e ISRSs, há outros medicamentos eficazes para esses pacientes?”

Giratório: “ Sim, apesar desses serem os principais, posso citar como exemplo a Venlafaxina, que é eficaz no tratamento de todos aqueles sintomas somáticos que mencionei, mas não cura a ansiedade em si.. Além disso, há os tricíclicos (classe de anti-depressivos) e os antagonistas dos receptores de noradrenalina e adrenalina, que funcionam melhor para diminuir a ansiedade em situações específicas, como em momentos em que seu desempenho é avaliado, e não resolvem a ansiedade generalizada em si.”



 Imagem esquemática que mostra a venlafaxina atuando na sinapse química, impedindo a recaptação dos neurotransmissores noradrenalina e serotonina. Isso implica um aumento nas concentrações desses neurotransmissores.
NA: neurônio noradrenérgico
5-HT: neurônio serotoninérgico


Repórter: “Muito obrigado por sanar nossas dúvidas, agradecemos pela sua contribuição! Deseja falar mais alguma coisa?”

Giratório: “Queria agradecer à equipe entrevistadora e a todos que têm lido nossas postagens, esperamos contribuir para a formação de todos, e caso queiram sugerir novas formas de postagem, reclamar, elogiar, perguntar, sinta-se à vontade para tal. Estamos olhando nosso twitter todo dia, não esqueçam de nos seguir: @neuromed92 ! Um abraço a todos e um ótimo dia!”

Lucas Shiratori
MED92

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- KAPLAN e SADOCK: Manual Conciso de Psiquiatria Clínica, 2008.
- DSM-IV
- CAMPBELL, Robert. Dicionário de Psiquiatria – 8ª Ed, 2009.
- PSIQWEB

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Metilfenidato: verdades e curiosidades sobre esse psicoestimulante


E aí, pessoal!
Aqui é o Diogo quem escreve.

Gostaria de discutir com vocês sobre um medicamento que hora e meia aparece em jornais, revistas e internet: o metilfenidato. Talvez, esse fármaco seja mais amplamente conhecido através de seus nomes comerciais (Ritalina® ou Concerta®). 

Fórmula estrutural do metilfenidato.
Costumam-se encontrar, nos mais diferentes meios de comunicação, informações que não são cientificamente válidas sobre esse medicamento. Para esclarecermos sobre seus benefícios e malefícios, que tal começarmos falando sobre a maneira como ele age em nosso organismo?


 Esse fármaco faz parte do grupo de medicamentos psicoestimulantes. Trata-se de um poderoso fármaco com ação sobre o sistema nervoso central capaz de alterar a concentração de neurotransmissores excitatórios, como a noradrenalina.

Nos neurônios noradrenérgicos, o metilfenidato atua bloqueando o transportador vesicular de monoaminas, proteína presente na membrana de vesículas de neurônios pré-sinápticos. Esse transportador, de maneira geral, tem a função de retirar a noradrenalina do citoplasma e colocá-la no interior de vesículas que, quando estimuladas, abrem-se para a fenda sináptica e liberam a noradrenalina para atuar em receptores pós-sinápticos.

O metilfenidato atua bloqueando a proteína VMAT representada acima, que se localiza em vesículas presentes no citoplasma do neurônio pré-sináptico.


Fórmula estrutural da noradrenalina, neurotransmissor relacionado com a ação do metilfenidato.

Ao inibir esse transportador, o metilfenidato aumenta as concentrações de noradrenalina no citoplasma do neurônio pré-sináptico. Por mecanismos paralelos [ainda não elucidados], uma grande quantidade de neurotransmissores excedentes cai na fenda sináptica e passa a atuar sobre os receptores de neurônios pós-sinápticos.

Como resultado, há aumento expressivo na transmissão de impulsos nervosos no sistema noradrenérgico. Por suas características excitatórias, a maior atividade desse sistema confere ao indivíduo um maior poder de concentração em suas atividades do dia-a-dia, além de proporcionar euforia e diminuição do sono.

Efeitos benéficos (e muitas vezes terapêuticos) que podem ser proporcionados pelo metilfenidato.
Por isso, o metilfenidato é atualmente utilizado em pessoas de diferentes idades que apresentam distúrbio do déficit de atenção com hiperatividade, uma enfermidade que se caracteriza por desatenção, inquietude e impulsividade. Além disso, esse fármaco pode ser empregado no tratamento de distúrbios do sono.

Déficit de atenção com hiperatividade: distúrbio mais prevalente em crianças e adolescentes, mas que pode acompanhar o indivíduo acometido por toda a sua vida

Como todo medicamento, o metilfenidato não causa somente efeitos bons, mas também efeitos adversos nocivos para a saúde. Os mais freqüentes são: dor de cabeça, insônia, irritabilidade, anorexia, náusea e vômitos.


Por ser uma substância psicotrópica com tantos efeitos adversos importantes e prevalentes, o metilfenidato somente pode ser utilizado sob orientação médica. E é válido lembrar que há um controle bastante rigoroso na sua comercialização, sendo necessário apresentar uma receita de controle especial.

Apesar disso, hoje em dia, o metilfenidato vem sendo utilizado por estudantes [universitários ou concurseiros], motoristas de caminhão, atletas e trabalhadores de longas jornadas com o intuito de diminuir o sono e aumentar o desempenho físico. Além disso, verifica-se que jovens se arriscam a utilizar esse medicamento indiscriminadamente em festas raves e carnavais, a fim de manterem-se acordados e dispostos durante todo o evento.

 No entanto, quando utilizado inadvertidamente por certos indivíduos, o metilfenidato pode causar infartos, morte súbita, distúrbios visuais, aumento da pressão arterial e convulsões, por exemplo. Quando associado com álcool, a ação conjunta das duas substâncias químicas pode resultar em depressão do sistema nervoso central.

Imagine o quanto seria perigoso se um caminhoneiro, de repente, apresentasse distúrbios visuais ao volante! Ou um jovem cardiopata experimentasse um infarto durante uma festa rave.

O consumo de metilfenidato pode resultar em visão turva, um risco para caminhoneiros que utilizam esse medicamento de forma inadequada.
Quando utilizado por longos períodos e em doses excessivas, o metilfenidato pode levar à morte de neurônios, ao desenvolvimento de comportamentos estereotipados e ao surgimento de distúrbios do sono.

Portanto, pessoal, é muito importante que haja um uso responsável e criterioso do medicamento.

Nos próximos posts, prometo trazer mais informações sobre medicamentos que estão presentes no nosso dia-a-dia e sobre os quais é super importante nos mantermos informados.

Espero que estejam gostando de acompanhar o blog!
Estamos super abertos a críticas, comentários, elogios e sugestões.

Abraço!

Diogo MED92

Referências Bibliográficas:
- UPTODATE. Methylphenidate: drug information. Disponível em: www.uptodate.com Acesso em 12 jan 2011.
- KATZUNG, B. G; Farmacologia Básica e Clínica. 10ª ed. São Paulo: editora McGrall Hill, 2007.  
- RANG & DALE;  Farmacologia. 6ª Ed. Rio de Janeiro: editora Elsevier, 2007.

Nicotina

Opa! Fala pessoal!
Estávamos sumidos, mas agora voltamos a todo vapor! Nem vai dar mais tempo de sentir saudades!Aqui quem fala é o Giratório (Lucas Shiratori) e vou falar de um assunto muito interessante que é sobre a Nicotina. Antes de falar sobre a Bioquímica propriamente dita, quero abrir os olhos de vocês e dar aquele puxãozinho de orelha!
Apesar do enorme conteúdo informativo acerca dos perigos que o tabagismo oferece ao organismo humano, ainda existe uma considerável parcela da população mundial que fuma. Tudo isso se deve às propriedades viciantes da nicotina. O DSM-IV (4ª edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) calcula que cerca de 85% dos fumantes diários são verdadeiros dependentes da nicotina. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) estimam que há 1 bilhão de fumantes em todo mundo e que fumam, aproximadamente, 6 trilhões de cigarros por ano. Há, também, dados da OMS que especulam a morte de mais de 3 milhões pessoas por ano devido ao tabagismo. Surpreendentemente, o número de fumantes em países em desenvolvimento continua aumentando. E você? Vai contribuir para aumentar o número de viciados ou vai pular fora? Se você nunca fumou, não se preocupe, não está perdendo nada e a sua saúde agradece, e se você fuma, agora é uma excelente oportunidade para parar esse péssimo hábito ;)


Bioquímica da Nicotina

Fórmula Estrutural da Nicotina
 
A nicotina é o componente psicoativo do tabaco. No organismo, tal substância age como agonista sobre os receptores da acetilcolina do subtipo nicotínico, o que afeta diretamente o SNC (Sistema Nervoso Central). Aproximadamente um quarto da nicotina que é inalada no ato de fumar é transportada até o sangue. Na corrente sanguínea, a nicotina atinge o cérebro em 15 segundos, sendo que a sua meia-vida é de duas horas. A hipótese de maior credibilidade no meio científico defende a ideia de que a nicotina produz suas propriedades viciantes e de reforço positivo ativando a via dopaminérgica, projetando-se para o córtex cerebral e o sistema límbico (conforme constantemente discutido nos nossos posts: o grande controlador das emoções).


Além disso e dos aumentos das concentrações de adrenalina e de noradrenalina circulantes induzido pela nicotina, há uma maior liberação dos seguintes hormônios:
 
- Hormônio Anti-Diurético (ADH)
Hormônio fundamental para o Sistema Urinário no que tange ao equilíbrio eletrolítico do corpo. Além disso, modula os efeitos da noradrenalina, que, conforme discutido aqui no blog, apresenta-se em baixas concentrações na depressão.

- Endorfina (tipo beta)
Modulam respostas de humor e à estímulos estressantes, além de modular a percepção dolorosa.

- Hormônio Adrenocorticotrópico (ACTH)
Hormônio que promove a produção de glicocorticóides pelo córtex adrenal, que induzem síntese de enzimas e sistemas de transportadores celulares, agindo, sobretudo, no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios.


- Cortisol
Glicocorticóide que age nos hepatócitos acelerando a síntese de glicose e estimulando as reações catabólicas que têm como substrato proteínas e lipídios. Há, também, inibição de resposta inflamatória e imune.



Acredita-se que tais hormônios contribuem para os efeitos estimulantes básicos da nicotina sobre o SNC. A constante exposição à nicotina pode provocar, a longo prazo, diminuição do fluxo sanguíneo cerebral, apesar de aumentá-lo a curto prazo. Sendo que em oposição a seus efeitos estimulantes do SNC, a nicotina atua como relaxante dos músculos. A sua dependência ocorre de maneira relativamente rápida, sendo que se acredita que é devido ao fato de que a nicotina ativa o sistema dopaminérgico da área tegumentar ventral, o mesmo sistema afetado pela cocaína e pelas anfetaminas. A área tegumentar ventral é o local de origem de impulsos que modulam recompensas sentidas devido à realização de uma satisfação.

Fica aí minha contribuição da vez, se tiverem dúvidas, já sabem: perguntem-nos, pois temos todo o prazer em sanar as dúvidas de todos =)
Abraços e beijos giratórios a todos!

Fica aí um vídeo sobre tabagismo que fala bastante de suas consequências. Vale a pena ver!

Lucas Shiratori
MED 92



Bibliografia:
- OMS (Organização Mundial de Saúde)
- DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – 4ª Ed.)
- Manual Conciso de Psiquiatria Clínica de KAPLAN e SADOCK – 2ª Ed.
- CID10 – Classificação Internacional das Doenças
- Fisiologia humana – Livros-texto I. Yue, Anna.
- Revista eletrônica do Departamento de Química - UFSC

sábado, 1 de janeiro de 2011

Pesquisas mostram que Ecstasy pode causar morte de neurônios

Hoje eu (Bruno Sakamoto) vim falar sobre uma pesquisa que teve como objetivo achar lesões causadas diretamente pelo uso de ecstasy ao Sistema Nervoso Central (SNC). Tal investigação tem importância, pois pode colocar um ponto final em uma pergunta que perdura há duas décadas sem resposta: pode somente o ecstasy causar danos ao SNC?
 Essa pesquisa foi comandada pelos cientistas portugueses: Ema Alves, Teresa Summavielle e Félix Carvalho da Universidade do Porto e Instituto Politécnico do Porto. Eles desvendaram como o ecstasy pode comprometer neurônios, danificando suas mitocôndrias.
Esse trabalho que foi publicado no Journal of Neuroscience também revelou como as drogas usadas no tratamento da Doença de Parkinson são capazes de prevenir tais danos.
Como nós vimos no post anterior, o ecstasy causa um acúmulo de serotonina na fenda sináptica, ligando-se a transportadores responsáveis por recaptar tais neurotransmissores para o neurônio pré-sináptico, onde poderão ser degradados ou armazenados em vesículas para posteriores utilizações.
            Os pesquisadores já sabiam que o excesso de serotonina era eliminado pela enzima monoamino oxidase B (MAO-B). A surpresa veio quando se descobriu que a destruição de serotonina produz peróxido de hidrogênio, que pode comandar a formação de radicais livres. Alves, Sumavielle, Carvalho e colegas também perceberam que a MAO-B localizava-se na membrana da mitocôndria de neurônios produtores de serotonina.
            Os cientistas suspeitavam que durante a eliminação do excesso de serotonina em resposta ao consumo de ecstasy, poderia haver a produção excessiva de radicais livres na membrana mitocondrial. Essa acumulação tóxica poderia afetar a produção de ATP pela célula, resultando em morte neuronal.
            Para testar essa hipótese, o time de pesquisadores usou quatro grupos de ratos adolescentes: um grupo tratado com ecstasy, um tratado com ecstasy e selegilina (uma droga capaz de bloquear a atividade da MAO-B) e dois grupos controles: um grupo tratado apenas com selegilina, com a finalidade de assegurar que a droga realmente estava sendo efetiva; e outro que foi tratado com placebo.
            Após algum tempo, o cérebro dos animais foi removido e as mitocôndrias dos neurônios produtores de serotonina analisadas. Os ratos utilizados no experimento eram adolescentes, pois é essa faixa etária a principal usuária da droga e a mais vulnerável a mesma, uma vez que os sistemas nervoso e hormonal ainda não estão completamente maduros.
            As mitocôndrias neuronais dos ratos tratados com ecstasy mostraram graves danos, incluindo a perda de fragmentos de DNA mitocondrial. Em contrapartida, os animais tratados com ecstasy e selegilina não apresentaram qualquer sinal de prejuízo às mitocôndrias. Isso provou que a enzima MAO-B na presença de excessiva quantidade de serotonina, nesse caso provocada pelo uso de ecstasy, pode induzir danos mitocondrias. Dessa forma, certas drogas que combatem a Doença de Parkinson, por inibirem a ação da MAO-B de modo semelhante à selegilina, poderiam evitar a produção excessiva de radicais livres provenientes da metabolização da serotonina.
            Os próximos passos da pesquisa visam associar a perda de memória característica dos usuários de ecstasy à morte de neurônios produtores de serotonina.
We hope that this findings can help convincing ecstasy' users, mainly the adolescents, that ecstasy really affects the way our brain functions”
Teresa Summavielle - pesquisadora

Referências Bibliográficas 


Bruno Sakamoto - MED 92

Ecstasy: a viagem pode não ter volta

O ecstasy é considerado uma droga perturbadora do Sistema Nervoso Central, pois é capaz de produzir quadros de alucinação, geralmente de natureza visual. Seu nome farmacológico é 3,4-metilenodioximetanfetamina, sendo abreviado por MDMA.


O MDMA foi sintetizado pela primeira vez em 1912 pela Merck, uma empresa alemã, e tinha como finalidade ser usado como supressor de apetite, embora nunca tenha sido utilizado para esse fim em razão de diversos efeitos adversos. Em 1960 começou a ser usado como elevador do estado de ânimo, sendo receitado por psicoterapeutas que o consideravam “a penicilina para a alma”, por acreditarem que a droga favorecesse o diálogo terapeuta-paciente.
             O uso recreativo surgiu na década de 1970, principalmente nos Estados Unidos, onde acabou sendo proibido em 1985. Nessa mesma época, estudos mostraram que 13% dos estudantes universitários norte-americanos já haviam feito uso da droga, o que demonstrou que o uso ilegal já estava disseminado pelo país.
            Embora o ecstasy possa ser administrado de diversas maneiras: inalado sob forma de vapor, injetado por via intravenosa - a forma mais comum é a oral, sob a forma de comprimidos. A dose recreacional varia de 50mg a 150mg em dose única. Mas como esse mercado é ilegal, não há controle de qualidade que possa prevenir quanto a uma possível overdose.
            O efeito da droga dura cerca de quatro horas, mas pode variar de pessoa para pessoa, pois as enzimas que eliminam o ecstasy do organismo não estão presentes nas mesmas quantidades em todas as pessoas.

Mas como o Ecstasy atua no Sistema Nervoso Central?

Nas fendas sinápticas existem proteínas transportadoras responsáveis por recolher o excesso de neurotransmissores, ou seja, levar os neurotransmissores que não se ligaram a receptores de volta para o neurônio pré-sináptico, onde poderão ser estocados em vesículas para uma nova utilização, ou ser degradados por enzimas, no caso, a monoaminoxidase (MAO).


O ecstasy atua sobre proteínas transportadoras de serotonina e dopamina, fazendo com que haja um acúmulo desses neurotransmissores na fendo sináptica, prolongando, assim, seus efeitos.


Efeitos e Riscos do Ecstasy

Os efeitos do ecstasy aparecem 20-70 minutos após o seu consumo e caracterizam-se por aumento da sensibilidade sensorial auditiva, excitação, agitação, desinibição, aumento da sociabilidade e vontade de manter contato físico.
A nível físico, o esctasy pode causar taquicardia, aumento da pressão sanguínea, diminuição do apetite e sede intensa. O uso da droga também está associado a um aumento demasiado da temperatura corporal, que pode chegar a 42º C. Esse aumento de temperatura é extremamente perigoso, uma vez que induz o usuário a ingerir grandes quantidades de líquido. E como o ecstasy atua aumentando a secreção de Hormônio Antidiurético (ADH), o organismo não consegue eliminar o excesso de líquido do organismo.


O link abaixo direciona para um site que conta a história de uma jovem inglesa, Leah Betts, que morreu em 1995 devido à ingestão excessiva de água após fazer uso de ecstasy.
A grande quantidade de água no plasma de Leah fez com que a concentração intracelular ficasse maior que a extracelular, causando - devido à osmose - o inchaço das células, sobretudo dos neurônios.





Referências Bibliográficas
http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0809/sextasy/ecstasyf.html

Bruno Sakamoto - MED 92